Texto escrito por mim para o seminário da prática sobre o silêncio:
O não-silêncio“Silêncio é a palavra que habita, que palpita.” (Pedro Abrunhosa) Ao pensar sobre esse tema no grupo do Projeto “Use a sua cidade”, ao qual acompanhei durante o segundo semestre de 2009, pude perceber que o silêncio era algo muito raro dentro do grupo: sempre tinha alguém falando e, se as pessoas não realizavam essa ação, era a cidade, com todo os seus ruídos e manifestações de vida que interrompia o silêncio. Como Liberman coloca (2008, p. 257) a vida não é silenciosa, pois, mesmo que haja um silêncio de palavras, existem ruídos, pensamentos e pulsos que nunca cessam. O corpo sempre está falando e a fala é apenas mais um produto do corpo. Porém o corpo é um produto do mundo. Caldin (2006, p. 06), apóia -se na idéia do filósofo Maurice Merleau-Ponty para dizer que “a linguagem é extensão do corpo, faz parte do mundo da experiência, a palavra é criação de sentido e, o silêncio é uma forma de linguagem”. Além disso, há uma ligação entre o corpo humano e a cidade, sendo que a arquitetura e os ruídos facilitam ou dificultam a vida rotineira, os negócios, a política e os rituais religiosos. Os corpos que se produzem são “corpos falantes e corpos silenciosos, corpos que subjugam e corpos que são subjugados” (CALDIN, 2006, p. 05). Na sociedade atual, a passagem da voz coletiva para a voz pessoal aumentou o silêncio. A velocidade dos veículos comunitários transformou as viagens casa-trabalho, trabalho-casa em rituais de emudecimento. E surge, ao mesmo tempo, cada vez mais forte este barulho indiscriminado, este ruído surdo misturado de pressa, buzina, breques de ônibus, de construção e destruição que vai apagando sorrateiramente nossa voz no mundo. Assim, a privação da fala foi tomando vulto e hoje se percebe a supremacia do silêncio, do individualismo e da busca de privacidade dos lares. É o próprio ritmo de vida imposto pelo sistema ao qual vivemos que faz isso. É a velocidade de nossas vidas que nos leva ao emudecimento: estamos sempre com pressa, ocupados, presos às nossas "responsabilidades", envoltos em nossos pensamentos e preocupações. E o outro surge como um estranho, um estrangeiro. Olhamos para ele e não o vemos. Ele é apenas parte da paisagem. Dessa maneira, a humanidade, à medida que prioriza a velocidade, prioriza também o isolamento. “As vozes não seguem mais paralelas, elas correm cada uma em uma direção” (CALDIN, 2006, p. 14). Já os ruídos das cidades são, por algumas pessoas, chamados de “trilha sonora da cidade”. São sons que marcam a passagem por determinados lugares, atrapalham, causam surdez, entre outras coisas. Porém, a barulheira da grande cidade também faz com que haja o apagamento das lembranças auditivas no cotidiano de seus habitantes, especialmente aqueles sons que um dia fizeram parte da nossa vida e que vão desaparecendo sem que tenhamos percepção de seu sumiço. É interessante constatar que perdemos os sons em silêncio. Talvez isto se dê pela confusão de barulhos que nos cercam, talvez pela desvalorização da memória auditiva ou ainda por esta conjunção de faltas de estímulos que acabam por perpetuar esta ausência de percepção da importância dos sons nas nossas lembranças. Ao mesmo tempo, os sons da cidade podem atrapalhar a comunicação entre os indivíduos. Isso podia ser muito visto durante os dias de incursão urbana. Para que fossemos ouvidos pelo grupo todo, era necessários estarmos próximos um dos outros e falar num tom de voz maior do que o normalmente usado. Percebe-se, portanto, a relação entre a voz, a cidade e o silêncio dentro de um grupo que tem a cidade como ambiente de encontro e realização de tarefa. Bibliografia: CALDIN, C.F. A Presença e a Ausência da Voz no Tempo e na Cidade: uma leitura merleau-pontyana de Carne e Pedra de Richard Sennett. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, vol. 11, n.1, p. 05 -17, jan./jul., 2006. JANOVITCH, P. Em busca das trilhas sonoras da cidade de São Paulo. Retirado de Jornal Ver São Paulo. Disponível em: http://www.carbonoquatorze.com.br/ versaopaulo/2009/01/em-busca-das-trilhas-sonoras-da-cidade.html. Acessado dia 09 de janeiro de 2009. LIBERMAN, F. Delicadas Coreografias: instantâneos de uma terapia ocupacional. São Paulo: Summus Editorial, 2008. p. 255-284.
Escrito por Juju às 12h11
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Escrito por Juju às 18h14
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Tenho algumas coisas para dizer, mas nesse momento quero falar de algo que ficou na minha cabeça durante a semana inteira: o ballet. Acho que a apresentação de teatro esse semana no CRATOD aliado a minha conversa com a Eli, a professora que vai me orientar na mono, me fez perceber o quanto estou sentindo falta... Uma falta que eu sabia que ia sentir, mas etava inconsciente até agora. Sinto falta da sala de aula, os espelhos altos, a barra, o chão de madeira, o piano ao canto, o aparelho de som, o som da sapatilha raspando no chão, os baques surdos dos saltos... Sinto falta das apresentações. O friozinho na barriga antes de entrar no placo, as orações. O teatro... Ah, o teatro... Com toda sua magia, todo o seu encanto, todo seu labirinto... Os camarins apertados com dez bailarinas lutando por um pedaço de espelho, o espelhos iluminados, as lâmpadas ao redor dos espelhos que tornam aquele pequeno espaço muito, mas muito quente... As escadas até o espaço antes do palco... Aquele espaço tão importante para a concentraç]ão e aquecimento antes de entrar no palco. As coxias, ahhhhhhh, as coxias... O refúgio do bailarino, um espaço de esconderijo antes de me mostrar ao público e de voltar quando algo acontece ou você tem que sair do palco. Um espaço separado por alguns pedaços de pano preto... Mas o palco é mais mágico ainda. Toda a dança acontece ali. Ali você se mostra ao público, má a cara a tapa e se mostra por inteiro, mostra sua paixão por aquilo que faz, expôe sua alma... Ali que você escuta o somo que move a sua dança, que move você a continuar dançando: os aplausos, o mais maravilhoso dos sons. Não é querer me gabar, mas eu adoro os aplausos. Mostram o quanto so público gostou do seu trabalho, da sua dança, da sua alma, da sua paixão... Ontem fui ao sarau da Associação Morungaba onde fiz estágio esse semestre e me emocionei muito com um menino e uma menina de 9 anos q se apresetaram. Não foi só a dança, mas a magia do ballet q me emocionaram. Percebi que é isso mesmo: o ballet está no meu sangue e não há nada que diminua esse "vevneno" que corre pelo meu corpo, essa minha paixão... A Eli perguntou se eu estava dançando ainda, mas eu disse que parei e vou voltar o ano q vem. Porém, estou com medo de não conseguir achar um lugar e não voltar... Ficar só na fala... Talvez eu precise de um empurrãozinho, alguém que vá comigo nas academias... Alguém se habilita? rsrsrsrsrs Acho que por hoje é só... Bjusssss
Escrito por Juju às 18h11
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Olá pessoas!!! Dei uma sumida, mas estou de volta... Vou contar um pouquinho como está esse meu fim de ano. Primeiramente, vou avisá-los que tive uma cólica renal ontem que vocês não fazem idéia!!! Chorava que nem criança de tanta dor... Acabei tendo que tomar soro e duas injeções. Depois disso, ao chegar em casa, fui tomar um banho quente e quem disse que o chuveiro esquentava? Fui obrigada a recorrer ao bom e velho banho de caneca. Me fez lembrar meu tempo de EIV rsrsrs O problema é que quando a Raquel foi tomar banho, o chuveiro esquentou com ela. Fiquei muito puta! Durante a madrugada, fui para o pronto socorro de novo com dor, mas dessa vez de ambulância. Nunca tinha andado em uma... O mais engraçado foi a Raquel caindo do banco da ambulância direto para o chão quando o motorista freiou hehehehe Hoje já estou melhor... Estou tomando muita água e buscopam contra a dor. Finalmente as aulas estão terminando... Fiz dois trabalhos finais hoje, um para amanhã e outro para segunda. Falta do da Carminha de Tecnologia assistiva e aí FÉRIAS!!! Vou beber horrores depois que entregar esse trab só para comemorar rsrsrs Acho que é só... Beijos a tod@s!!!
Escrito por Juju às 18h59
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Escrito por Juju às 19h35
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Sobre os comentários no meu post anterior: Vocês estão antecipadamente incluídos... Droga! Vocês estragaram a minha idéia de troca!!!
Escrito por Juju às 19h35
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Ok! Tomei uma decisão na minha vida: vou comprar um laptop! Resisti por três anos, mas agora vi que não tem mais jeito... O problema é como... Mas já estou pensando. O jeito será doações... Na verdade, é uma troca. Ao invés da pessoa me dar presente de Natal, me dá o valor do presente que ia me dar em dinheiro. Em recompensa, eu coloco o nome das pessoas na parte de agradecimentos da minha mono... O que acham? Eu tinha pensado nas pessoas me darem como presente coletivo, mas o meu amigo Richard já tirou o corpo fora... Isso que é amigo, hein? ¬¬ Assim, quem estiver disposto a contribuir, me contate que mando a conta do depósito. E não estou brincando! É algo muito sério... Minha mono depende disso!!!!
Escrito por Juju às 20h01
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Escrito por Juju às 16h50
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Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... isto é carência.. Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isto é saudade. Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio. Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... isto é um princípio da natureza. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... isto é circunstância. Solidão é muito mais do que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma... Francisco Buarque de Holanda
Escrito por Juju às 16h45
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Contagem regressiva...
É pessoas, daqui quatro dias faço 21 anos... Parece que essa idéia está me assusntando um pouco. Parece (e acho que é verdade) que a cada ano que passa as responsabilidades só aumentam e pouco tempo resta para fazermos o que queremos, como ficar na cama lendo um livro ou ir para o shopping num dia com os amigos e passar a tarde inteira com eles. Resolvi escrever para colocar um pouco da minha aflição de fazer 21 anos... VINTE E UM!!! Vinte e um são 3 vezes 7, vinte e um gramas é quanto uma pessoa perde de sua massa corporal ao morrer, vinte e um é a idade mínima para se adotar uma criança... Vinte e um realmente é o marco da fase adulta. Agora, realmente, deixei de ser adolescente para se tornar o que sou... E o que sou? Essa é a pergunta que me assombra mais... Passou tanto tempo e ainda não consegui responder boas partes das minhas perguntas, tirar dúvidas cruciais, descobrir porque existo, porque estou aqui e não lá, e quem sou eu... Sinto-me cada vez mais perdida, pois o mundo mostra-me uma variedade considerável de eus, de Júlias Colussis de 21 anos. Acho que etsou ficando louca e ficando que nem a personagem Ana do livro "Vergonha dos pés"... Estou escrevendo umas coisas sem nexo, mas que fazem um super sentido para mim... rsrsrsrs Uma coisa posso dizer: não tenho vergonha dos meus pés, mais precisamente para onde eles me levaram e continuam me levando. Cada lugar em que estive, cada pessoa que conheci, cada momento que passei foram importantes para determinar essa Júlia que agora sou, mas que não sabe quem é... Vai se entender, né? hehehe Acho que por hoje é só! Bjussssssssss
Escrito por Juju às 10h54
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Escrito por Juju às 13h23
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Novamente, vontade de escrever. Novamente, recordações... Dessa vez, não de um tema ou de uma passagem especifíca da minha vida, mas um pouco de tudo que passei. Resolvi organizar minhas coisas antigas da faculdade. Colocar tudo nos plásticos correspondentes a cada disciplina, organizar as disciplinas por semestre, empilhá-las, e colocá-las de maneira mais organizada no canto do meu armário reservado a elas. Depois disso, organizei um armarinho que tem no canto do quarto, como um criado mudo. Em cima dele tem vários porta-retratos com fotos minhas e da minha irmã com nossos amigos, conhecidos, etc. Nas portinhas, recordações minhas: minha caixa de cartas e coisas marcantes, dois álbuns de fotografia de formatura (8ª série e 3º colegial), o envelope com minhas fotos de ballet, os desenhos que o Ivo fez de mim e algumas outras miudezas perdidas naquele espaço minúsculo, algumas realmente esquecidas ali. Depois de seprar o que ia para o lixo, o que ia guardar, o que tinha que ir para outro lugar, fechei as duas portinhas e fui para outro canto do armário que divido com minha irmã: ela fica com a parte grande do armário, eu fico com as gavetas menores, onde guardo roupa íntima, meias, biquinis, cachecóis e pijamas. Dei uma organizada nas coisas que haviam dentro do armário. Achei minha agenda do ano passado e separei-a para depois guardá-la na caixa junto com as agendas antigas. Fui guardar a agenda depois de organizar aquele pequeno bagunçado espaço. Um pouco de trabalho para pegar a caixa pois o lugar onde estava/está guardada também estava/está bagunçado. Abri a caixa e encontrei cadernos antigos do Rafa, agendas antigas da Bruna, meu velho e querido diário, um caderninho que a Anna, sumida Anna, me deu no 1º colegial e as agendas, minhas agendas. Tinha desde a 8ª série até o segundo ano da faculdade. Peguei todas e passei a folheá-las, divertindo-se com algumas anotações contidas ali, relembrando cinemas e teatros com amigos, detendo-me me alguns momentos tristes, essas coisas que agendas de garotas geralmente carregam ao longo dos anos, pois para nós, cada lugar, cada momento, cada ocasião tem que ser lembrada por alguma coisa e marcada na agenda com algo significativo. Pode ser o ingresso do teatro ou aquele papel do bombom que você comeu depois do jantar ou aquele papel de bala dada por um amigo quando você estava triste, não importa. O importante é estar ali para que, quando você possa folhear as páginas, as lembranças, que às vezes se perdem com o tempo, possam vir mais fácil e te fazer rir ou chorar do que foi vivido. Nossa, foi muito bom estar ali, entre tantas recordações... Depois, guardei todas de volta à caixa e coloquei a caixa no armário. Quem sabe um dia, volto para olhá-las novamente...
Ps: a vida é engraçada né? Estava no orkut hoje e olha o q deu minha sorte de hoje --> A dança é a linguagem oculta da alma. Acho que não preciso dizer nada rsrsrs
Escrito por Juju às 13h21
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Escrito por Juju às 14h20
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Minha Trajetória no Ballet
Tá, eu resolvi escrever algo meu dessa vez. Me deu vontade e muitas coisas vieram na minha cabeça nesse momento. O assunto de hoje? O ballet, parte da minha vida (se não toda ela) há 11 anos. Tempo, né? Eu também acho. Sabe, lembro da primeira vez em que entrei numa sala de aula do ballet. Era na Academia Opus Studio, que pertence à dona do Colégio Doctus, que fica na Rua Dr. Alves do Banho, 565, São Bernardo, Campinas. A professora na época era a Luciana Félix, super novinha (devia ter por volta dos 22 anos), mas uma graça de pessoa e uma ótima professora. Com ela tive meus primeiros conhecimentos sobre o ballet clássico. Entrei no Baby class, era a mais velha da sala (de 9 para 10 anos). Todas tinham de 7 anos para baixo, inclusive minha irmã, que nesse ano (1998) fez oito anos. Agora imagine que engraçado eu, com 10 anos de idade, alta (sempre fui) e magrela (tá, isso mudou um pouco rsrsrs), o que me deixava mais alta ainda. Ridículo, né? Por causa disso, Luciana, para a apresentação do final de ano, o chamado festival, me colocou numa turma com pessoas da minha idade ou um pouco mais velhas. Fiquei super insegura, porque todas já faziam ballet há um tempo. Mas fui mesmo assim. Até reencontrei uma amiga da pré-escola! Assim, ocorreu meu primeiro festival: Terra Brasilis.Minha dança chamava-se Iemanjá e minha personagem era esposa de pescador. No ano seguinte, mudei de professora e de grau. Fui para o 1º grau ter aulas com a Ana Rita. Outra grande professora. Aprendi a rigidez do ballet e a disciplina da vida com ela. Fiz meu primeiro exame e passei, o que me deixou muito feliz. E outra coisa: nesse ano dancei mais que uma coreografia. Foram duas! Água e terra. O tema era o surgimento do universo. Foi um festival muito bonito. Ano seguinte, nova professora e novo grau. Porém, nesse ano tive que sair do ballet. Tinha começado a estudar à tarde e as aulas de manhã não estavam dando certo porque na maioria das vezes minha mãe ou meu pai não podiam me levar, já que meu pai trabalhava e minha mãe ficava correndo com a minha avó para todo lado, pois ela estava doente. Duro golpe foi seu falecimento. Sem ballet, sem avó e com minha mãe grávida do Rafa. Enfrentei um período difícil. Até hoje sinto falta dela... Dos seus cafunés, das suas bochechas gostosas para dar beijos, de seus abraços e da sua comida rsrsrs Voltei para o ballet em 2001, fazendo aulas durante à noite. Ia direto da escola para aula e não me sentia cansada.Terceiro grau com a Telma. Não cheguei a fazer exames, apenas aula de apresentação. O festival? Sobre a imigração. Foi esta coreografia que o Zagonel dançou comigo. Foi meu último ano na Opus. Comecei a fazer aulas em 2002 na Opus, mas parei por vários motivos: primeiro porque ela me passou do 3º para o 6º grau, sendo que no anterior eu não tinha nem capacidade para prestar exame. Achei isso meio incongruente. Outro fator foi o horário da aula. Começara a estudar de manhã para poder fazer aulas á tarde e ela me colocou no horário das 17h30. Foi aí que fui para a Dança e Cia Academia Karen Righetto – Ballet. Minha mãe que descobriu a academia ao passar com o carro em frente.Comecei as aulas quanto antes. Quarto grau e aula com a própria Karen. Prestei meu primeiro exame com uma examinadora da Royal. Passei com a média para passar: 40 cravado! Sorte minha rsrsrs Foi neste ano também que comecei a fazer aulas de pás de deux com o meu atual professor Paulo Matulevícius. Também comecei a usar a sapatilha de ponta, sonho e pesadelo de toda bailarina. Final do ano: Sonho de um artista e três coreografias, sendo uma delas a minha primeira na ponta. Muito nervosa. Acabei escorregando logo no começo da coreografia. Óbvio que fiquei ainda mais nervosa. Ao sair e encontrar meus pais e meus amigos me esperando não agüentei e chorei. A blusa da minha mãe ficou manchada por causa do lápis de olho que manchou com as lágrimas. Em 2003, começaram as saídas para dançar em competições e mostras de dança em outras cidades. Também nesse ano fui fundado e formado o grupo de dança da academia. Fui escolhida para fazer parte numa audição. Prestei o exame do quinto grau. Aumentei minha nota e fiquei com 48. Porém, ainda não era o suficiente para mim. No festival, dancei muito por ser do grupo. Foram quatro coreografias, mais algumas aparições rsrsrs O tema foi A fábrica de brinquedos. Neste ano também conheci minha melhor amiga e minha maior apoiadora: Juliana Góes Martins! Não sei o que teria sido da minha vida sem ela. No ano seguinte continuamos com as apresentações em outros lugares. Numa delas, ganhamos o prêmio de melhor grupo e melhor academia pelo júri popular. Foi um bom tempo aquele, antes que o grupo começasse com disputismos e crises de estrelismo. Exame do sexto grau. Minha maior nota em todos os exames que prestei: 79, o que significava passar com distinção. Fiquei muito feliz, porque isso mostrava o quanto estava evoluindo. Nesta época fazia aulas quatro vezes por semana, quando não tinha ensaios à noite e de final de semana. Recorde de danças no festival: 9, variando do dia em que dançava. Foram três apresentações: uma matinê e duas à noite. Dancei meu primeiro contemporâneo e espero não ter que repetir a experiência. Outro detalhe importante: foi quando dancei meu primeiro e único pas de deux. Festival de Flores de Genzano. Era lindo e difícil, mas amei dançá-lo. Foi meu auge e talvez o auge do grupo. A partir desse momento, começaram as disputas. 2005... Segundo colegial, ainda com tempo para as aulas. Fazia aulas todos os dias, pelo menos uma hora por dia. Ás quartas feiras chegava a ficar quatro horas na academia fazendo aula e ensaiando. Não me arrependo. Foi nesse ano que ganhei meu primeiro e único prêmio com meu pas de deux: um terceiro lugar (com gosto de primeiro, já que não teve nem segundo e nem primeiro lugar) no 9º Dançarte em Salto, interior de São Paulo. Participamos do ENDA, Encontro Nacional de Dança, no Teatro Alfa em São Paulo. Se conseguíssemos o primeiro ou o segundo lugar iríamos dançar no Teatro Municipal de São Paulo. Que sonho!!! Infelizmente, tivemos um erro feio com a música e atrasamos tudo. Parecia que eu não escutava a música e quando consegui escutar, percebi que estávamos atrasadas! Mas tudo bem, valeu a experiência... Exame do sétimo, talvez o grau que eu mais gostei de fazer. A dança do free movement era linda. Até cheguei a apresentá-la num sarau que um amigo fez. Minha nota caiu e foi para 70, o que era passar com mérito. Continuei feliz mesmo com a queda. O festival foi Cinderela. O grupo já estava completamente desunido e algumas nem se falavam. É foda quando lidamos com o ego humano! Mas enquanto dançávamos, não deixávamos aparentar nada. Foram três coreografias e a que mais gostei foi a Pantomima, uma espécie de bobo da corte. Em 2006 foi meu ano de vestibular. Ia para as aulas de manhã, para o ballet à tarde todos os dias da semana e estudava quando estava em casa. Foi um tanto quanto corrido. Nos ensaios gerais para o festival levava meus livros e os exercícios para estudar enquanto esperava a minha vez. Nas quartas ia direto da escola para o ballet e minha mãe deixava uma marmita para mim na academia. Eita, tempo bão sô! Fiz o último exame dos graus básicos e também da minha vida de bailarina (até agora pelo menos). Oitavo grau. Só danças. Tinha exercícios na barra, mas eram mais para aquecimento e não contavam nota. No total eram quatro danças. Gostava de duas delas, as mais free movement. Deu para perceber o quanto gostava desse estilo de dança, né? Passei com 59, também mérito. No festival falamos sobre circo. Foi o festival mais longo da minha vida: durou três horas. Nem a platéia agüentava! Rsrsrs Dancei um quinteto com o Paulo que era muito lindo. O tutu (aquele vestido armado de ballet) era bem claro e muito lindo, bem bordado, mas sem excesso. Também dancei com aquela música Alegria do Cirque du Soleil. Adivinhem o nome da coreografia? Alegria, é óbvio. Dancei 6 coreografias, isso porque pedi para não me colocarem em muitas por causa do vestibular. Não adiantou muito, mas tudo bem: dancei o que queria dançar e também passei no vestibular. Foi aí que as coisas se complicaram. Comecei a fazer aulas de sexta e sábado apenas. Que diferença para quem fazia aula todos os dias! Parei com a Royal e os exames. Só fazia aula e ensaiava e dançava. Difícil conciliar! Mas fui indo, devagar e sempre! Final do ano dancei apenas duas coreografias: Fundo do Mar e Libélulas. O espetáculo era baseado em filmes e desenhos da Disney. Me senti mal. Não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Libélulas tinha 15 pessoas no palco. Não entendia essa falta de reconhecimento. Me dediquei tanto às aulas quando podia e agora dançava uma coreografia com um monte de gente no palco. Nada contra quem dançava comigo. Era mais a situação que me angustiava! Ano seguinte ficou mais difícil ir às aulas. Dancei uma coreografia com o grupo, mas só ensaiei com ele completo próximo do festival. Peguei sozinha com a Ju e a Karen. Além dessa coreografia, dancei Flores do Natal com o Paulo. Comecei a ensaiar um trio com o Paulo e a Luisa chamado Happy, algo que não traduzia meus verdadeiros sentimentos. Na noite de Galla, um espetáculo à parte, dancei mais. Estreei o trio e dancei mais quatro coreografias. Chegamos à 2009. Comecei só com aula duas aulas por semana. Porém, resolvi sair do grupo por não estar conseguindo conciliar as duas coisas. Fiquei só com a aula do Paulo aos sábados, que estava difícil de conciliar. Para piorar, em abril quebrei o metatarso do quinto dedo do pé direito, o que me afastou do ballet por dois meses. Voltei em agosto e fiz uma aula apenas. Todos os outros dias tinha algo para fazer. Ficou difícil fazer aulas. Agora, vocês devem estar me perguntando o motivo de eu estar resgatando essa história. Pois bem, vou contar-lhes. Fui arrumar minha pasta de documentos onde guardo meus certificados e programas de festivais e as notas dos exames. Fiquei remexendo em tudo aquilo e relembrando da minha trajetória. E como vou encerra um capítulo da minha vida essa semana, queria deixar marcado esse momento com alguma coisa e resolvi escrever. Afinal, eu escrevo para desabafar rsrsrs O capítulo que encerro é minha participação e minhas aulas na Academia Karen Righetto, assim como encerrei na Opus. Esse sábado vou lá acertar a última mensalidade e conversar com o Paulo. Dói um pouco ao pensar nisso e lágrimas sempre vêm aos meus olhos ao visualizar essa conversa, mas não vejo outro jeito. Não consigo aceitar continuar dançando as mesmas coisas que as outras meninas, sendo que eu não ensaios a mesma quantidade que elas. Além do mais, estou pagando e não indo às aulas. 100 reais faz toda a diferença na minha conta bancária rsrsrs Assim, venho aqui me despedir da Academia Karen Righetto e de todas as pessoas com quem convivi e vivi lá. Todos que me ensinaram alguma coisa ou que me deixaram alguma marca, boa ou ruim. Entendam que não é uma despedida da ballet ou da dança, afinal isto está no meu sangue, faz parte de mim. É uma das minhas partes, do meu eu. Sem o ballet, a Júlia Colussi não é a Júlia Colussi, é qualquer Júlia que existe no mundo... Para terminar uma frase: “E que seja perdido o único dia em que não se dançou!” (Niestchzie)
Escrito por Juju às 14h14
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Trecho rerirado do livro "Solo de Clarineta - Segundo Volume" de Erico Verissimo
"Estou de novo diante do espelho. O meu reflexo sorri. - Afinal acabaste fazendo o que dizias que jamais haverias de fazer. - Uma autobiografia? Bom... O homem é um feixe de contradições. Não te esqueças da teoria das erratas do inefável Brás Cubas... Andam por aí tantas informações biográficas erradas a meu respeito, mesmo quando bem intencionadas, que me senti na obrigação e com o direito de contar eu mesmo a minha história. - Um testamento? - Não. Seria pretencioso. - Discurso de despedida? - Mórbido. Vou fazer o possível para continuar vivo e ativo por muito tempo. Contemplamo-nos com certo afeto. O outro pergunta: - Olhando o passado... alguma queixa? - Nenhuma. - Mágoas? Remorsos? - As mágoas a borracha do tempo apagou. Com alguns dos remorsos habituei-me a viver. - E como descreverias o ato de redigir estas memórias? - Foi gostoso, às vezes. Doloroso, outras. Aqui e ali, aborrecido. Em suma, acho mais fácil e agradável fazer ficção. - Notaste que em nenhum dos teus livros usaste tantas metáforas, símbolos e imagens como neste ensaio? - Notei. São folhas de parreira. Pedaços de tecido coloridos que cosidos uns aos outros formaram o grande tapete debaixo do qual procurei esconder muito cisco do tempo e da memória... E isto também é uma metáfora. - Afinal de contas, quem é você? Quem sou eu? - Palavra de honra, não sei e acho que tenho medo de saber... Começo a barbear-me. O outro me imita, perguntando ao cabo de alguns segundos: - Algum sentimento de frustração, companheiro? - Nenhum, que me lembre. Encontrei finalmente a minha Casa. Fiz as pazes com meu pai. - E como te sentes à porta da velhice? - Envelhecer, meu caro, é o preço que todos temos que pagar se quisermos continuar vivos. Não há por onde escapar. - Em suma o que te falta agora é fazer as pazes com a idéia da tua própria morte. - Pazes? Vou lutar contra ela com todas as forças do corpo e do espírito, mesmo sabendo que fatalmente terei de um dia render-me incodicionalmente. - Vai ser uma batalha dura, em que tuas armas serão apenas palavras, palavras e palavras... - Sim, e talvez um vidro de xarope contra a tosse... Sacudimos a cabeça num mudo, grave acordo." (Erico Verissimo, Solo de Clarineta - segundo volume, p. 321-322)
Escrito por Juju às 18h17
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